Os Lambas e o kuduro que a novela não mostra


A Angola é um dos países mais ricos em recursos naturais da África, mas isso não impede que mais de 80% da economia seja informal e que os níveis de corrupção política sejam tão altos que fazem nossos políticos tupiniquins corarem de constrangimento. No centro desse palco caótico está o centro funcional do país, a capital Luanda, centro dos ambiciosos ricos angolanos, dos pobres mais-que-pobres e do ritmo que ferve todos esses personagens: O kuduro.

Quem escutou a música do Latino já formou uma noção um tanto equivocada do estilo. Não, mermão. A coisa é mais fudida. Estamos falando de um povo sofrido que criou com bases em música eletrônica um ritmo tribal de guerreiro cantado na língua do colonizador. O nome kuduro é exatamente o que parece (bunda é uma palavra de outro dialeto africano que não corresponde ao português de Portugal). E a dança, acredite se quiser, é inspirada naquela dancinha do Jean-Claude Van Damme no barzinho tailandês (nas palavras do criador do ritmo, Tony Amado).

Entre os vários artistas de kuduro, a ligação é muito parecida com a do funk carioca. Alguns artistas pendem para o lado da diversão e da pornochanchada, outros vão para a crítica social. Eu gostaria de destacar do segundo exemplo, os Lambas:


Eles são tidos como as estrelas maiores do estilo no país. O carismático vocalista Nagrelha é uma das maiores inspirações dos jovens, que imitam seu visual extravagante e seguem suas mensagens. Eles são um ponto fora da curva nas letras leves, bem-humoradas e eróticas do kuduro tradicional. E bem por isso mesmo chamam tanta atenção dos jovens que escutam o grito periférico nas mensagens do grupo.


Eles também foram os primeiros grandes expoentes do estilo a tocarem na Europa, onde fizeram shows no período de julho deste ano. Vale conhecer e talvez perder um pouco do preconceito do estilo, como nessa reportagem do extinto programa sobre periferias do mundo, com a Regina Casé.

Um dos integrantes e fundadores, Amizade, foi assassinado pela polícia por estar supostamente envolvido num assalto recentemente, mas o grupo segue, assim como seus integrantes que também investem em carreiras solo.


Gustota curte quando um estilo se populariza, mas sempre teme a apropriação feita dele.

 

 

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